Eu já esperava que o Kiko quisesse conversar comigo. Nós temos uma espécie de entendimento os dois, metafísico, que não se explica com uma palavra qualquer. Chama-se Amor.
E o meu Kiko, de olhos grandes e caracóis, disse, simplesmente:
- Rosarinho, eu já sei o que aconteceu.
Eu sorri e perguntei-lhe se ele queria conversar. Ele quis. E conversámos os dois, sobre as relações dos adultos e como os meninos pequeninos têm sempre um lugar especial no coração dos crescidos.
Eu tinha-me preparado para a conversa que tive com ele. Mas não me preparei para a conversa que ele teve com a mãe. Explicou-lhe, à F., que tinha tido uma conversa comigo, mas para a mãe não se preocupar.
- Sabes, mãe, a Rosarinho lidou muito bem com os sentimentos dela.
Meu bichinho-de-conta lindo.
está igual. Confesso que não voltei desde que lá tinha trabalhado, há quase quatro anos, e o meu coração bateu mais forte quando o avião aterrou. Eu não estava à espera que batesse tanto.
A casa da Inês já não é a mesma, mas tem os mesmos cheiros, os mesmo cantos, a mesma arrumação. Tem a Inês.
Entre olhares fugazes e menos fugazes, fui reconhecendo aquela cidade que também é minha, um bocadinho, mesmo com a chuva e a escuridão com que Bruxelas se apresenta aos seus visitantes.
O meu coração bateu mais forte quando ouviu aquele som. A música doce e suave, que me encantava a mim e a todas as crianças do bairro. A carrinha dos gelados. Não sei se foi da emoção toda junta, mas uma lágrima saudosa teimou em descer. Eu sorri.
Pode ter mudado muita coisa à minha volta nestes últimos quatro anos, mas as recordações em mim impressas não se apagam com chuva, gelados ou lágrimas.
Bruxelas, ainda que eu teimasse em esquecer, vai ter sempre um lugar muito especial no meu coração.
E tu também, Inês.
está de férias! (até segunda-feira próxima)
Foi, simplesmente, arrasador.
http://www.youtube.com/watch?v=amVQtkMOpz8