Era sempre assim. Eu entrava devagarinho lá no quarto. Escolhia a camisola. Ouvia, baixinho:
- Filha! Mostra...
E a avó, que eu pensava estar a dormir, dizia sempre o mesmo:
- Estás tão bonita!
A avó e eu partilhávamos as camisolas de gola alta. As da avó eram sempre as mais bonitas aqui de casa, arrumadas na mesma gaveta onde eu, hoje, voltei ao ritual das camisolas quentinhas.
Desta vez acendi a luz. Abri a gaveta sem me preocupar com o barulho. O cheiro a creme, perfume e pele da avó inundaram-me a alma.
E os olhos.
Fez-me falta o "estás tão bonita", como me fazem falta os abracinhos, os lanches, aqueles silêncios de fim de tarde. As mãos.
A ternura da avó ainda cheira cá em casa. Nas camisolas de gola alta.
É no silêncio das palavras, que deitam por terra muralhas, é nesse teu silêncio que te encontro em mim.
Não nas palavras doces que também podem ser espadas, não nas marcas, nas mãos dadas. É no teu silêncio.
Teu em mim.
Foi na terra do Nunca, Nunca que S.Pedro acordou para o Inverno.
Éramos muitos: Martelo, Bissolvon, Pérola, Beach Boy, Klaus, J.N., e Bruxinhas, acompanhados pelo Manolo e Ladeirinha.
Saudades da Bruxa Exótica, tinha muitas. E a cumplicidade das amizades que não têm tempo marcam sempre presença forte.
Risos, gargalhadas e muita animação.
Conta-se aquilo que se pode...
Entre viagens a Roma, percebes pouco frescos e jogos disparatados, S. Pedro acordou da letargia invernal que parecia embalá-lo quando chegámos.
A casa estava fria, gelada. A lenha só chegou no sábado.
Ainda assim, amiguinhos do fim-de-semana:
EU NUNCA NUNCA...
É impressionante como em grupos de amigos há sinais que para o comum dos mortais não significam nada mas que, no meio certo, têm o poder de despoletar as maiores gargalhadas do mundo...
E enquanto o Beach Boy me vai contando as aventuras dos "Brós" (bruxinhas, parece que temos competição...) eu farto-me de rir com disparates e feitos tão nossos...
A célebre frase da Feiticeira de Oz quando vestiu a mini-saia verde pela primeira vez; o "Morre, Pre...!"; a conversa com o Manolo; viagens de carro às tantas da manhã, mensagens trocadas, fins de noite desastrosos, conversas parvas, fins de tarde na praia, desgostos, alegrias... enfim!
Há tanta, tanta coisa para contar e tanta que não pode ser contada que o melhor mesmo é deixar que falem os olhares entre nós e pequenas partilhas que vamos fazendo aos amigos que nos conhecem.
Preparam fim de semana animado em S. Pedro de Moel. A casa das Bruxas Má e Morgana vai acolher uma dezena de amigos para festejar... bem, nem importa o quê.
Sacos-de-cama, toalhões, lenha. Comida... Ver boleias. Quem vai na sexta, quem vai no sábado.
Falta menos de uma semana e as bruxas estão animadíssimas.
Logo vos conto na segunda-feira...
Ou não!
Acabei de ver a Bruxa Má pegar ao colo a minha prima Maria...
Primeiro olhou para mim com um ar apavorado. Encheu-se de coragem. "Como é que se pega?" Estendeu os braços e a Maria aninhou-se no colinho da amiga da tia-prima.
A Maria fez um sorriso do tamanho do mundo. As bruxas? Babadíssimas...
Será o início de uma nova etapa?
Tic Tac
Tic Tac
Tic
Tac
Ainda que o corpo dos espartanos e téspios houvesse exibido extraordinária bravura, o espartano Diecenes foi considerado o mais valente de todos. Consta que na véspera da batalha um trácio lhe terá dito que os archeiros persas eram tantos que, quando disparavam as suas rajadas, as flechas obscureciam a luz do sol. Diecenes, todavia, impávido perante tal perspectiva, terá respondido: "Muito bem, lutaremos à sombra."
Heródoto - Histórias
Hoje foi o dia do Juramento de Bandeira da Pepa!
Quem viu diz que ela estava muito, muito feliz!
- O Kiko foi à casa-de-banho sozinho? - pergunto eu, fingindo-me muito admirada.
- Pois - encolhe os ombros e estica as mãozinhas - já xou um homem!
Tem três anos...
A família L. tem um novo amigo de quatro patas...
Chama-se Dogo e foi adoptado pelos primos P. e M..
Bem-vindo!
Zarinho!
O Kiko já diz Rosaínho. E eu, numa mistura de orgulho e ao mesmo tempo saudade do tempo em que ele cabia no meu colinho, matei saudades durante o fim-de-semana.
Matei saudades do Exílio, que continua a casa mais bonita deste mundo e do outro.
Matei saudades da família.
A tia G. está doentinha...
As melhoras!
As bruxinhas estão boas.
Umas começam vidas novas, cheias de experiências diferentes. Outras, estão em tempo de espera.
E é para as que estão em tempo de espera que vai o meu beijinho.
A forma mais perfeita de sabermos que gostam de nós é sentindo esse sentimento. Quando as palavras não são sequer suficientes para preencher o espaço entre o coração e a razão, quando nem é preciso dizer.
É a maneira mais pura de se gostar. Deixar que o outro se sinta querido. E bonito.
E a pureza de um sentimento tão trabalhado, que exige tanto de nós, é a manifestação mais tranquila da certeza de que também se gosta.
Muito.
tem uma duração e intensidade diferente no outono. Depois de as horas passarem demasiadamente depressa no verão, o tempo, agora, estende-se sem pressa, deixando saborear cada mudança da vida.
As folhas caem. Cheira a castanhas. Roupa quentinha, gente discreta. Cheira a terra molhada.
O outono mostra-se como o início do novo ciclo, de mais um ano.
E no meio de tanta mudança, que se faz sentir todos os anos de maneira diferente, é impossível não pensar também no quanto mudamos nós ao longo dos tempos.
Este começar de novo carrega alento. E apetece viver cada instante exactamente como o tempo corre.
Devagarinho.
Pifou... o computador cá de casa resolveu avariar-se. E sozinho!!!
O Miguel e o Paulo, como informáticos competentes e primos dedicados, lá o trouxeram de volta.
Eu? Tinha saudades do Linhas Incertas. Tantas, tantas...