como a falta se sente em pequenas coisas do dia a dia. E não é um sentimento triste. É uma falta de alma física. Não é da presença, essa está sempre perto.
O sofá verde da sala não é o mesmo. Não é o mesmo sem a avó lá sentada. E por muito que me por lá encoste, ou mesmo outra pessoa qualquer, o sofá não tem a mesma harmonia. Pertencem-se. O sofá e a avó.
A minha avó tem uma companhia nova.
O beijinho é para a Magali.
Não falar em ti não quer dizer que não me lembre.
Só ainda não encontrei as palavras certas.
Mas sinto-te, sempre, em mim.
Hoje faz anos a mana Pepa! Faz 20 anos, a minha mana pequenina que dava beliscões e dentadas aos manos mais crescidos quando ainda mal sabia andar...
Parabéns, Pepita!
eu falei com o F.Crescido, que tinha falado com os pais, que tinham falado com a minha mãe e, de repente, o clã Laureano andava em conversações para passar o dia em família.
O Kiko quis conversa, mimo, brincadeiras, colo. Está enorme. Fala pelos cotovelos e a Zarinho matou saudades da plasticina e do "tão balalão".
A Maria continua linda, foi toda vestida de cor-de-rosa (escolheu o pai) e vi-a sorrir-se pela primeira vez. Adora ouvir conversar.
E, nestas alturas em que o carinho e amor familiar é palpável, a presença dos que ali estiveram antes de nós é visível em cada canto. Tantas memórias da mesma família, na mesma casa, é algo de que nos podemos orgulhar.
A casa voltou a encher-se de música.
Depois de tanto tempo, é bom sentir que uma alma que sinto tão próxima voltou a ser gente. Feliz.
A Morgana e eu não vos dissémos, mas o Manolo continua a acreditar piamente na história que lhe contámos lá no Patriota...
(gargalhadas...)
A prima I. anda em ensaios para nova peça...
Ainda é surpresa, depois logo digo quando e onde estreia.
me habituei aos meus novos horários e o Linhas Incertas ressente-se!
Prometo que é só por agora...
foi de arromba!
Entre Coimbra e Santarém, com a Nana, a Mariana e a Calolas e com as bruxinhas, em grande festa...
A Nana e a Mariana acabaram o curso.
Com as bruxas celebrei os anos da Patalógica.
Assim que tiver mais tempo conto tudo!
Hoje fazem anos o Paulo e o Miguel!
Parabéns para os meus queridos primos!
Hoje faz anos a Maga Patalógica!
Um beijinho para ela!
Com o frio chegaram lá a casa as bolachas de canela, de que a avó tanto gostava.
O lanche era sempre um desatino: Come o meu bolo, filha. Já lanchaste? Estás cansada? Hoje estás triste (a avó tinha olho para estas coisas)...
Tem piada como as tardes passadas ao pé da avó e da Laurinda (que nos fazia companhia e ajudava a tratar da avó) eram tão calmas e tranquilas.
E este ritmo da vida, que passa devagarinho, mostra que à semelhança da lembrança do cheiro a canela, também as memórias da avó são mais tranquilas, reconfortantes. Quentinhas.
Hoje faz quatro meses.
Sinto falta da minha avó querida.
Íamos as bruxas Morgana, Má e Feiticeira de Oz e eu, pela estrada fora, acompanhadas pelo M., a conversar todos divertidos, trá lá lá, trá lá lá.
Aproxima-se um carro, chego-me para a berma.
Vejo uma mão a sair da janela. Estúpida que nem uma porta nem reagi. Levei um palmadão, mas um palmadão no rabo que até fez eco.
Indignadíssima, eu que costumo ter uma série de palavras tão bonitas para dizer neste tipo de situações, disse:
- Seu... seu... Palhaço! Parece que é parvo!
É claro que fui gozada o resto da noite...
Estava a conversar com a Pepa (que está por cá de fim-de-semana de descanso) e chegámos à conclusão de que o nosso crescimento em comunidade familiar é único...
Graças aos nossos primos mais velhos com cinco anos já andava de bicicleta, de tanto me empurrarem, já nadava (à cão, claro) num tanque de rega mínimo que na altura nos parecia enorme. Já sabia que para fazer tiro ao alvo a ratazanas era preciso ficar muito quietinha ao lado do pai do Kiko para os bichos não nos ouvirem.
Que se havia uma vespa era natural que todo o enxame por ali andasse, que andar descalça é que é bom e já era perita a subir árvores. Não era tão perita a descê-las, o que significa que, de vez em quando, um primo salvador aparecia para me tirar lá de cima.
No Exílio aprendi que se me levantasse da mesa durante muito tempo era provável que o copo de sumo tivesse sal, aprendi a verificar se a minha cama estava feita "à espanhola" ou se havia aranhas miraculosamente colocadas entre os lençóis. Aliás, aprendi a ver se havia aranhas em todo o lado, tendo em conta que um dos desportos favoritos dos primos crescidos era apanhar aranhas e perseguirem-me vigorosamente com elas na mão.
Aprendi que não é boa ideia correr à volta do lago, mesmo que não escorregue há sempre um braço prontinho para nos empurrar, que não se atiram pedras enquanto se joga ao farol (coitadinho do F. Belo...) e que comer fruta ainda em cima da árvore tem um sabor incomparavelmente melhor.
Outro desporto favorito era atravessar o rio fazendo slide, havia sempre roldanas e cordas à espera da próxima aventura... Olhando para trás é impressionante a quantidade de ossos que nunca chegámos a partir... Confesso que nem tenho noção de quem é que tinha estas ideias fantásticas, mas era óbvio que todos participavam, mesmo os mais pequeninos, os meus manos e eu.
Um dia destes escrevo um livro inspirado nos nove primos. Vai ser um sucesso...
As palavras não chegam.
Hoje, simplesmente, não chegam.
Há muitos, muitos anos, o mar e a areia quiseram trocar. Quiseram trocar de lugar.
O mar invejava a areia. A sua paz, tranquilidade. A entrega e amizade de todos os que a povoavam. Pisava-a, invejoso, com ainda mais força quando a maré, atormentada, se fazia notar.
A areia via pouco. Via o céu e o mar, ao longe. Via as estrelas, o sol e até a lua que lhe dizia, com ternura, que era luz que não precisava de fogo. Mas também ela queria mais.
A Natureza, cansada de tanta queixa, pensou em tom de deixa: Bem, vou deixá-los trocar... Vou deixar que a areia seja o mar e o mar a areia. Vou deixar que se apercebam que cada um tem seu lugar e que, ainda que não faça mal sonhar, há que viver com quem se é. Com virtudes e qualidades, com limites, defeitos e com a idade que o tempo nos vai deixando. Sempre sabendo que podemos melhorar. Cada um é como cada qual." E depois de muita queixa, lá trocaram a areia e o mar. Trocaram de lugar.
Naquele dia o mar estendeu os braços e teve frio. Olhou em volta e, em vez de peixes, tinha em si gaivotas que passeavam e até conversavam em tom de brincadeira. "Sou areia!", pensou o mar. E, com grande esforço, tentou caminhar. "A areia fica sempre parada... Mas é acarinhada por quem, descalço, se entende sobre ela. E ficou, o mar, parado. Parado. Parado...
A areia olhou ao longe. "Vejo terras, outros montes! Vejo peixes, gente diferente, vejo os barcos e até me posso zangar. BRUM! Fazia ela as ondas soar.
Mas o tempo foi passando. E o mar, em tons de areia, que nem se mexia, deixou-se cansar. "Quero a minha vida de volta. Quero voltar a ser o mar. Quero os meus peixes, as minhas terras. Quero a minha ira, a minha força. Quero voltar a ser mar.
A areia viu o mundo, foi por oceanos, outros caminhos, foi sem rumo. Mas e a sua gente que a procurava ardente por poder descansar? As gaivotas, tão amigas, que tinham sempre novidades para lhe contar? A ternura da lua, que se projectava insegura espelhando-se no mar?
"Quero voltar a ser areia. Quero voltar a estar parada, quero a minha segurança, o meu calor. Quero a minha praia, os meus amigos, quero voltar a reflectir o sol.
Quero voltar a ser areia."
A Natureza já estava zangada. "Querem lá ver que lhes faço a vontade, troco-lhes missões e responsabilidades e agora querem ser o que sempre foram?"
Mas sabendo, lá no fundo, que já era hora de os deixar trocar fê-los voltar cada um para o seu lugar.
É sempre bom querer um pouco mais. Um pouco mais de vida, de segurança, de calma ou energia. Mas não é por mudarmos de forma, como a areia e o mar, que deixamos de ser quem somos. A areia é sempre areia. Com sol ou com lua, de noite e de dia. A areia é mais tranquila.
O mar é sempre mar. Com maré cheia ou vazia, zangado ou em acalmia, passeia pelo mundo com o sopro da vida.
O mar e a areia aprenderam a lição. Passaram a escutar o coração para se conhecerem melhor e a dar valor a cada pormenor dos seus dias, como as gaivotas e os montes que às vezes parecem invisíveis mas que são parte importante da vida da areia e do mar.
A vida é para se ser vivida, bonita como ela é.
lembrei-me de outra história.
Uma vez no bar da faculdade:
- Ouve lá! Tens mais irmãos?
- Tenho, mais três... Porquê?
- Olha, hoje ía no metro e vi uma rapariga e um rapaz iguais a ti. Cara, maneira de falar e gestos. Pensei logo: são irmãos da Rosarinho. A meio da conversa eles disseram o teu nome e eu vi logo!!! Só podia, são iguais.
Eu fartei-me de rir. Os meus irmãos mais novos iam sempre juntos para a escola, de metro. Parece que somos mesmo parecidos...
da Pepa:
(mensagem de telemóvel)
"Recebi agora as minhas platinas. Ja sou oficialmente cadete. Bj"
Que orgulho que tenho na minha mana Pepita!