Fui ao jantar de anos/despedida do Toine (vai fazer Erasmus), judoca como eu.
O Beach Boy falou num amigo, o Cenoura, cujo o nome era D.. Lembrei-me de um grande amigo do meu irmão de quando ele tinha 10/11 anos que se chamava D.. e que, por ser ruivo, também era tratado por Cenoura. "Que giro! Andou na E.S.? Sim!" Risos, "que engraçado!".
Quando chegou o tal Cenoura, o B.B. disse-lhe que eu tinha um irmão que andado na escola com ele, há 11 anos (nunca mais se viram). O D. olhou para mim e disse:
- O Gonçalo? És igual a ele...
Achei o máximo.
Hoje faz um ano a Inês, filha dos primos D. e P.
Muitos Parabéns para todos!
Quiseram ver as notícias, a história da Joana mexe com elas. Eu deixei. Que direito tinha eu de não as deixar ver a face do mundo de que, até agora, estão protegidas? Não havia imagens de violência física, sangue, mortos, nada do género. Mas havia as palavras que induzem violência emocial, probabilidade, as que nos deixam a pensar e remoer cada sentimento de raiva, tristeza, impotência.
- Meninas, vamos ver qualquer coisa mais animada?
- Não, queremos saber da Joana.
Eu deixei. Mais vale saberem em casa, acompanhadas, do que ouvirem na escola histórias fantasiadas contadas por meninas e meninos da idade delas.
Conversámos sobre gente má, sobre estranhos, sobre mães e pais doentes. Conversámos...
A conversa mudou rapidamente, desenhos-animados, Morangos com Açúcar. Hora de ir para a cama.
O ritual da Madalena (que se levanta sempre meia hora depois de estar deitada) foi diferente. Não lhe doía a cabeça, nem a barriga.
- Não consigo descansar a cabeça... Só penso em coisas más! - diz-me a minha loiraça de 11 anos.
Esteve ao meu colo, tão crescida e tão pequenina, a beber leite com chocolate, num silêncio calmo e tranquilo, num mimo de babysitter que cresceu também com elas e que as conhece como a palma das mãos.
Para dizer a verdade, nem sei quem é que deu mimo a quem. Também a minha cabeça não tem descansado.
A Maíía, como diz o Kiko, já fez um mês!
Foi no dia 26.
O bebé da prima C. é uma bebé! O Gui vai ter uma mana e eu mais uma prima!
Foi uma emoção. Acordar cedo ao domingo. Ver o castelo lindo, lindo, a rua vazia e uma luz plena e cheia de cor. E lá fui eu, de mochila às costas, entrar num buraco do esgoto na Rua da Conceição.
Parece um buraco do esgoto, mas não é... Tem umas escadinhas, muito pequeninas e desce-se a pique para o que parece ser uma sala, iluminada. Cheira a calor e o coração bate mais depressa. São ruínas romanas em perfeito estado de conservação, que serviam de base para um edifício que se estenderia para cima. Não é difícil imaginar a animação que devia ter, entre os arcos, gente de um lado para o outro, conversas, etc.
Estava muita gente, uma fila interminável. Os guias não tinham tempo para descansar. Disseram que seria a base de um fórum mercantil. Não se sabe.
Eu cá gostei. Muito, muito.
Para ano já me prometi que vou outra vez e a tia G. diz que também quer ir.
(só abre uma vez por ano, durante 3 dias, porque é preciso bombear a àgua que enche constantemente o monumento.)
Ligou-me a Feiticeira de Oz para me dizer que a Madame Min me vinha buscar na sua vassoura. Desde que a Má e a Morgana mudaram de casa, tem sido a Min a minha boleia.
Fartei-me de rir com ela. É que também eu nos primeiros dias de trabalho me senti verdadeiramente burra e incompetente. Parecia que toda a gente tinha mais capacidades do que eu e que cada vez que fazia alguma coisa mal, no meu esforço inglório para fazer tudo bem e depressa, era como um menos na caderneta. ENRRRRRRRRRRRRRRRRRRR. Wrong answer. Juro que era a frase que mais ouvia dentro da minha cabeça.
À medida que as nossas inseguranças vão passando e que vamos provando a nossa força de vontade aliada à competência que vamos ganhando, trabalhar torna-se muito mais divertido.
Madame Min, adorei aquela nossa conversa. É que eu achava que era a única a ouvir de mim para mim:
ENRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRR. Wrong answer!
A Annie Hall ligou-me:
- Estás a trabalhar, precisava aqui de ajuda...
Estava a tratar uma menina italiana que vinha acompanhada pelo pai e não percebiam uma palavra de português.
- Precisava que percebem que não é para tomar mais remédios, só precisa de ter cuidado com o que come.
E eu, com um grande sentido de responsabilidade, lá falei com o pai da menina. Entendemo-nos entre o meu italiano macarrónico e um grande esforço de tratar a filhota adoentada.
Eu fiquei inchadíssima por ter sido requisitada para tal importante missão!
Querida Annie: sempre que precisar, já sabe... Gosto deste espírito da Boa Acção!
Liguei para a F. para falar com ele. O Badamico atende o telefone.
- Quem é? - até fiquei abananada... Parecia muito mais crescido!
- Quem é? - voltou a perguntar.
- Kiko Badamico! É a Zarinho!
- É a ZARRRRRRRRRRRRRIIIIIIIIIIIIIIIIIIINhhhhhhhhhhhhhhhooooo! - oiço eu num som cada vez mais sumido (acho que largou o telemóvel num sítio qualquer enquanto corria pela casa).
Falei com a mãe F. e quando voltou ao telefone (depois da mãe lhe ter dito: A Zarinho quer dar-te um beijinho e ele ter ido a correr para a porta, não, querido, ao telefone! Gargalhadas das duas.) foi para me gritar:
- Baijinhos! - com aquela entoação que só ele sabe dar.
Este Badamico tem o condão de me deixar mesmo bem disposta.
Sento-me ao computador, ligo-o, vejo mails e trabalho pendente.
Abro o Linhas Incertas (sorrio sempre), vejo comentários.
Abro o hotmail. Escrevo mails às Bruxas, aos amigos do liceu (à Nininha, à Claudia, Ana, Gonçalo e Teresa), à prima M., ao F.Crescido e à Pininha. Só para lhes desejar um bom dia.
O NR chega ao escritório dele, começam as trocas de mails disparatados (contagem decrescente para nos irmos embora, etc).
Telefono para casa, para falar com a minha mãe e/ou com Paula-Amor (de quem morro de saudades dos mimos).
Só agora é que começo a trabalhar. Meia hora depois de ter chegado ao escritório.
E é tão bom ir recebendo as respostas à medida que as pessoas vão chegando também elas aos escritórios e começar o dia de trabalho rodeada de amigos!
Estou cá uma pirosa...
não me esqueci da sua encomenda! Prazo: 24 de setembro.
Beijinhos!
Eu fiquei surpreendida, juro que fiquei, que o Beach Boy se estivesse a portar tão bem. Habituada a disparates inúmeros, juntamente com o Karateca A., durante os treinos judocas, fiquei surpreendida com a calma e tranquilidade que a criatura apresentava... Hum...
"Tão educado e simpático que ele é, Rosarinho". E eu pensava, eu nunca disse que ele não era! Mas faltava aí também a palavra alucinado.
Pronto, eu gostava que estivessem estado com ele ontem, queridas bruxas, Murphy e F.Crescido. Eu não sou muito certa, mas ele é absolutamente louco. Quando eu já punha em causa as minhas capacidades de avaliação de pessoas, eis que o Beach Boy voltou a ele... É absolutamente insane e tenho a certeza que a P.J. anda de olho nele.
Estive também com o Karateca e com a X. dele, a P.. Penso no quanto as pessoas não deixam de nos supreender e como passei uma noite tão particularmente divertida. Serão calmo, interessante, pelas ruas do Bairro Alto, ao som de batuques e de outras conversas.
Foi bom.
ver a Maria e o Kiko. A Maria cresce a olhos vistos, gordinha e toda vestida de cor-de-rosa. Linda, muito atenta, faz as delícias de toda a gente.
O Kiko Badamico anda cheio de energia, já voltou ao infantário e ensinou-me a brincar com os "baiblaides" (dito por ele). Adormeceu ao lado da Zarinho, depois de uma tarde de brincadeira activa.
Já estava cheia de saudades dos meus meninos.
Passou o dia em preparações minuciosas, a fazer a mala, escolher roupa e material, com um ritual muito dela.
- Rosarinho, cheiro bem? - pergunta-me a minha mana que ainda outro dia era pequenina.
- Cheiras muito bem! - digo ao mesmo tempo que lhe faço uma festinha no cabelo.
- Mãe! Despache-se! - diz divertida.
Pega na mala e, com uma felicidade quase infantil, despede-se do seu espaço. Quem a visse diria que ía para um campo de férias. Mas não... Foi mesmo para um campo militar.
A minha mana pequenina anda com uma G3 nas mãos. Pensar que já fui maior que ela...
Passámos o dia nisto:
Quem vota na festa da K? Eu voto! Eu também vou! Eu cá não... Festa! Sim!
Eu, que desde que comecei a trabalhar me esforço por dormir um número mínimo de horas (que são mais do que para a maioria das pessoas), achei óptima ideia e, até pensei (ingénua...), vou lá um bocadinho e volto cedo para casa.
Pois sim...
Casa da Morgana e da Má. Sem Morgana, que está num fim de semana do escritório. Conversa em dia, novidades, etc.
Apanhar táxi, encontrar Feiticeira de Oz e F., porta da K.
Na K... Encontrámos a Maga e amigas, o Pérola, o P., o J., o V...
Nem sei bem que vos diga. Bem, acho que vou dizer mesmo que cheguei BEM mais tarde do que planeado e que, já em casa, depois de o despertador ter tocado pelo menos duas vezes, acordei com o telemóvel na mão, que anunciava serem horas de eu estar a sair, prontinha e arranjada.
Já devia estar a trabalhar arduamente há 20 minutos, mas o meu cérebro ainda não começou a funcionar.
Bruxas: diverti-me tanto, mas tanto!
P.S.: hoje fico em casa... acho eu...
Ontem, quando cheguei a casa, tinha o seguinte bilhete na porta:
ROSARINHO: PORTA PINTADA DE FRESCO. ABRIR COM CUIDADO E NÃO ENCOSTAR. TRANCAR DEPOIS DE ENTRAR.
BEIJINHOS MÃE.
TIRAR O BILHETE DA PORTA...
Achei uma delícia.
A vida projecta-se por muitos caminhos. Penso no quão diferentes são os nossos hábitos e vivências, dependendo do sítio onde estamos.
Em Milão a vida tinha outro ritmo. Outros cheiros. Gente diferente.
Os dias duravam semanas, a nostalgia era uma sensação estranha que apagávamos da memória, talvez por sabermos que se vivia uma experiência única.
E pessoas que durante um ano fizeram parte da nossa vida, que riram, choraram, com quem nos zangámos, com quem partilhámos a experiência única que é crescer longe de quem melhor nos conhece, desaparecem das nossas vidas exactamente com a mesma rapidez e com a mesma intensidade com que nos viveram.
Cada um de nós marca quem o rodeia, de formas diferentes. É uma responsabilidade com que vivemos. E se cada marca dessas pessoas que nos vivem fizer aquilo que somos?
Acredito que há caminhos que se cruzam, mesmo só de relance, e que mudam repentinamente rumos de pensamento e de opções. Os meus amigos de Milão fizeram-me ver o mundo de maneira diferente. Uma parte de mim nunca mais foi a mesma.
Hoje o meu pensamento está com a Calolas, Nana, Mariana, Isabel, Davide, Paola, Joana, Oscar, Jorge, Vasco, Diego, Laura, Teresa, Alberto...
Ah, e com o Duomo, com o pôr-do-sol visto do meu quarto, com o nevão que fez metade dos alunos erasmus ficar com gripe (por andarmos a correr de braços abertos na rua), com a vida simples, com as viagens mal programadas e hotéis baratos, com arte em cada canto.
Não há melhor escola do que crescer com a sensação de que o mundo que há para conhecer é imenso e intenso como o mar.
Hoje faz um ano a bebé Maria, filha da prima R.
Parabéns, bebé!
Um beijinho para todos!
As bruxas voltaram à cidade. Depois de um mês de férias a fazer bruxedos por outras bandas, as bruxas voltaram a casa.
E enquanto alguns bruxos e Y's já foram à vida deles, avizinha-se um novo ano cheio de encantamentos e magia.
Queridas Magali, Má, Feiticeira de Oz, Maga Patalógica, Exótica, Madame Min e Morgana...
Como diria uma de nós: Nova corrida, nova viagem! Uh!
Beijos para todas.
Habituada a treinar entre homenzarrões, só me apercebo do impacto que os meus amigos judocas causam quando estou com amigos que não os conhecem.
Enquanto converso alegremente, oiço-os dizer "aquele ali também deve ser do judo..."
Quando me perguntam a média de peso das pessoas que treinam comigo eu não tenho que pensar muito:
- Ah, entre 70 e 80Kg (há mais e menos)...
Completamente convicta de que uma sova destes meus amigos deita qualquer um por terra (eu fico estatelada no tapete, mesmo quando ele resolvem não fazer força) são as pessoas mais tranquilas e pacíficas que conheço.
Conheço poucos ou (mesmo nenhum) judocas que tenham precisado de usar a técnica e/ ou força em alguma situação mais complicada.
É que mesmo sabendo que em caso de confronto físico há a probabilidade do outro ficar pior do que eles, aprende-se desde cedo que o conflito deve ser evitado a todo o custo. As palavras devem ter sempre a primazia.
Os treinos estão quase a começar. E eu já tenho saudades daqueles treinos tão sui generis acompanhados de bom humor e muita dedicação.
Hoje os meus avós maternos fariam 65 anos de casados.
O avó Alexandre e a avó Sílvia.
Aproveito e deixo um beijinho para os meus avós paternos, os avós Manel e Lusitana, de quem já tenho muitas saudades.
Amanhã faz anos a Miss Brown! Um bom dia para ela.
Sexta-feira é noite de Bruxinhas e já há jantar combinado nas casa nova da Morgana e da Má.
Bom fim-de-semana para todos!
O ritual do ó ó que a avó S. nos fazia era sempre o mesmo.
Quando íamos dormir os lençóis já estavam abertos, a cama quentinha (pelo saco de água quente) e a 'vó rezava sempre connosco uma oração de boa noite:
Ò meu menino Jesus,
Minha doce companhia,
Acompanhai-me esta noite
E amanhã por todo o dia.
Mesmo depois de doente, se houve coisa que a avó nunca esqueceu foi as suas orações. Quando o ritual do ó ó se inverteu e passámos a ser nós a tornar-lhe a cama quentinha e convidativa, rezávamos todos juntos.
Ontem fui jantar a casa dos tios G. e A. e senti falta de a ver sentada no sofá amarelo, de perna traçada e olhar malandro.
Se agora me visse triste por alguém querido ter partido dizia:
- Ó filha! Está melhor que nós...
Eu digo:
- Ó Rosarinho! Está a olhar por nós...
Domingo faz três meses. E a cada mês que passa sinto mais saudades.
Pergunto-me, às vezes, que mundo é este em que meninos pagam por ideais que não conhecem, nem têm capacidade para compreender.
A vida apaga-se num segundo. A memória, essa, tem que ser eterna.
Para que não esqueçamos: o céu tem muitas estrelinhas novas, pequeninas.
E esse brilho não há quem o apague.
A mana Pepa foi para a A.M. e, lá em casa, já temos muitas saudades dela. O cão não deixa de dormir na sua cama preferida (dormem sempre os dois enroscadinhos) mas, a meio da noite, percorre as camas dos "outros manos" à procura de companhia.
A Pepa, como não podia deixar de ser, tem tido um desempenho notável e tem sido muito louvada.
Pepa, fazes falta lá em casa, mas temos todos muito, muito orgulho em ti.
- Embora ir às compras? Preciso de umas botas de inverno. - diz-me a Murphy Brown ao telefone.
- Embora!
E lá vamos as duas, armadas em perfeitas domingueiras, comprar umas botas para a Murphy Brown.
Já no Centro Comercial, passando por inúmeras sapatarias e lojas de roupa (a Miss Brown foi comprando calças e afins):
- Olha, passamos por ali? Queria ver ténis, preciso de uns.
Sou esquisita com ténis. Odeio olhar para os pés e ver que tenho barbatanas calçadas. Mas também não queria pagar um dinheirão por uns sapatos... Equilíbrio complicado.
Vi uns ténis. Lindos! "São aqueles", "quero aqueles, estão em saldos!", "que sorte!". Calço ténis, gosto dos ténis, tiro ténis, pago ténis, já não os largo até chegar a casa.
Chego a casa, "comprei uns ténis, são lindoooooooos!". Tiro os ténis, mostro os ténis, calço o ténis direito, "lindo!", pego no outro ténis, "estranho... não cabe. Ah, é do outro pé. Do outro pé???? Já está calçado!"
Fúria... Trouxe dois pés direitos...
O meu mano G. foi um querido, viu a minha fúria e, como eu vim trabalhar ontem, ele foi trocar-me os ditos ténis. Já os calcei, são do mesmo número e de pés diferentes.
Obrigada, Gonçalo!
Ah! A Murphy não comprou botas nenhumas...
Que vida, que prazer
Sem a dourada Afrodite?
Homero
Amanhã faz anos a minha prima Marlene. Passou a semana em preparações exaustivas (está de férias no Exílio) para a festa.
O fim-de-semana promete!
O beijinho é para a M. e para o P.
Chegamos cansados de um dia de trabalho. Com malas, sacos de ginástica e olheiras nos olhos. Apetece ir para casa, descansar um bocadinho antes de jantar. Mas não... Vamos ao ginásio.
A troca de roupa é feita a correr. Há sempre aulas, tempo imposto, para que o treino renda e seja mais motivante.
Todos os dias me "obrigo" a ir correr um bocadinho. É que, durante aquela hora, o mundo pára. Não há notícias, não posso ler livros (que faço sempre que tenho 5 minutos sozinha), não há problemas, nem gente conhecida.
É um momento só para mim. Saio suada e ainda mais cansada, mas com uma alma nova e pronta para a vida. Até durmo melhor.
Estou aqui a trabalhar e (já!) a obrigar-me a treinar um bocadinho.
Sabe tão bem!
A minha melhor amiga da primeira à quarta classe chamava-se Mehnaz. Éramos muito amigas, colegas de carteira, brincávamos nos recreios e almoçávamos juntas.
Lembro-me que tinha uma sala em casa "onde rezava", havia uns dias no ano em que não podia comer (eu levava maçãs às escondidas) e não assistia às aulas de religião e moral.
Não me lembro nunca de o facto de termos religiões diferentes e das nossas mães não se vestirem da mesma maneira ter influenciado a nossa amizade.
O Rashim era o mais alto da turma. Comia sempre uns pratos diferentes dos dos outros meninos, um pão achatado e comida picante. Cheirava a caril. Era tímido, mas muito simpático. Explicaram-me, mais tarde, que era indiano. Foi-me completamente indiferente.
Duas das minhas melhores amigas são "multinacionais". O pai era brasileiro e a mãe é portuguesa. Moram ao meu lado, conheço-as há tanto tempo que não imagino a minha vida sem elas. São coloridas. Pretas, como lhes digo carinhosamente.
Outra amiga minha é judia. Grande amiga. Falamos imensas vezes de Deus, como ser inspirador. Muito amigas mesmo.
Não sei se o facto de ter crescido com a consciência de que a amizade não tem raça nem credo me alertou para que, à nascença, ninguém é racista nem xenófobo. São preconceitos que se adquirem.
Os tempos mudaram, é verdade, e uma burka tornou-se quase um sinal exterior da dor que inflingem os atentados terroristas. Mas há mais para além de medos e política, não há? Há pessoas. Diferentes.
Não, este não é um "post" político.
É mesmo só um "post" humano.
Ainda cá estás. Ainda. Entre memórias sonhadas e vividas.
Por agora, ainda cá estás.
Ainda.