Ando aqui a pensar no que é que hei-de escrever hoje...
Não tenho nada para dizer.
Vou pensar e já escrevo qualquer coisa...
é linda. Muito parecida com o mano Kiko quando ele era (mais) bebé. Tem os olhos muito grandes e porta-se bem.
A mãe está cansada mas sempre bem-disposta.
Hoje vou lá a casa ver todos e encher de mimo os meus badamicos.
Entrou devagarinho no quarto do hospital. Estranhou ver a mãe naquela cama e ter um bebé ao lado. Pediu para ver a barriga.
- A Maía já xaíu!
No dia seguinte foi para o mimo da mãe, deitou-se no ó ó com ela. Deu beijinhos à mana e pegou-lhe ao colo.
O kiko Badamico é um menino muito, muito lindo.
Ontem foi o caos... Dizia eu ao Observador:
- Vou mudar a cara ao meu blogue! É assim como... cortar o cabelo!
- Ah... - disse-me ele.
Primeiro ficou cor-de-rosa, de alto a baixo. Depois cor de laranja. E eu, fui ficando verde, azul e branquinha, tal foi o susto.
O Observador lá me ajudou, com uma paciência ilimitada. O Paulo Querido respondeu logo ao meu apelo, mas já apanhou esta versão do Linhas Incertas.
O blogue tem uma cara lavada e o Paulo Querido vai ser um querido e ajudar, mais uma vez, esta dona incompetente do Linhas Incertas. Só falta pôr as letras mais pequeninas para caber tudo.
Bom fim de semana a todos!
André e Paulo... Eternamente grata!
O André deu-me uma ajuda... Ainda assim está caótico!!
Help...
Matei o meu blogue!!
Ai, ai alguém me acuda!
Está horrível!
Nasceu a Maria!
Querida bebé: bem-vinda! O mundo recebe-te de braços abertos e esta tia-prima já te tem no coração.
Nascer num dia tão bonito só pode ser bom augúrio!
- Zarinho! - diz ele com um ar todo importante - O tio Tó é pai da Nês!
- Pois é, Kiko!
Ficou intrigado... Querem lá ver que eu era o único que não sabia? Lembro-me de quando comecei a estabelecer as relações de parentesco que não me diziam directamente respeito. O tio Tó é meu tio e pai da Inês que, por sua vez, é irmã do Miguel. A minha mãe é tia da Inês e cunhada do tio Tó. Até essa altura todos me eram qualquer coisa. Meus pais, tios e primos. Mas que fossem alguma coisa entre eles foi a verdadeira surpresa!
Devia ter a idade do Kiko e lembro-me de ter andado a descobrir quem era pai e mãe de quem. No Exílio são todos pais e mães, haver uma divisão de quem é de quem foi muito estranho...
Achei mesmo piada ao Badamico.
Penso muitas vezes que há momentos exactos para tudo. Aquele instante em que o mundo pára e deixa que a harmonia de um acontecimento se proporcione.
Qual será o tempo passado e o tempo que se segue a esse instante? Quando é que sabemos se aquele segundo perfeito nos passou ao lado sem que o agarrássemos?
Há o momento em que nos apaixonamos, em que o coração bate mais forte, em que a barriga "pica", em que custa respirar. O instante em que a outra pessoa passa a ser A pessoa, o pequeno instante em paramos para a admirar.
Há o instante perfeito do pôr-do-sol, quando o céu é cor-de-rosa, laranja e azul. O momento perfeito para vestirmos um casaco, quando sentimos um arrepio e ainda não temos frio.
O momento de um abraço que ampara as lágrimas, caem soltas.
O momento perfeito para escrever. Para fazer escolhas. Para sonhar.
O momento perfeito para se ser.
Os momentos perfeitos deixam-me bem com o mundo. Há dias em que estamos mais atentos a esses instantes da vida.
Hoje é um momento perfeito para viver.
Estive sem blogue até há cinco minutos, já estava a desesperar!
O bebé Francisco é um herói. Nasceu antes do tempo, bem antes de o mundo o poder acolher e sem que o esperássemos tão cedo.
Os pais vão vivendo cada dia muito, muito devagarinho.
O caminho do Francisco é difícil e, por isso, pensei que se fôssemos mais a pensar nele isso lhe poderia dar alguma força.
Para os pais dele, um beijinho. O Francisco está sempre no meu pensamento.
foi o delírio. A festa tinha ainda menos luz do que é costume, fomos no carro do Pecado que andava pela primeira vez por aquelas andanças.
Os amigos de sempre, a boa disposição habitual, disparates sempre diferentes.
A festa prometia... E cumpriu!
cansativo, mas divertido. Saudades, muitas, da praia tão bonita, daqueles pôr-do-sol inspiradores, do mimo das amigas, das caras conhecidas.
No Exílio, também, com os primos todos. Tios, bebés. Os cheiros, os sorrisos, os abraços. As presenças e as ausências.
mais coisas para contar: domingo a minha avó faria 90 anos. Gostava sempre muito de fazer festas e de ver a família toda junta.
Prometo que não vou ficar triste. Vamos festejar a Vida, como a avó gostaria.
Dia 22 é também o dia de anos da Paula, a nossa inseparável amiga lá de casa. Vai aproveitar o dia de festa e baptizar a filhota mais nova, a Marta.
Tudo de bom para elas.
Levantei-me de manhã, mais cedo do que é habitual.
Vou hoje ter com mãe, manos, bruxas e amigos de longa data. Vou para S. Pedro de Moel.
Quem passa férias no mesmo sítio há muitos anos sabe que estas viagens têm rituais muito próprios. Fazer a mala, escolher a roupa, a camisola para a praia, chapéu-de-chuva, roupa quentinha para a noite, e muitas memórias dos anos lá passados.
É o primeiro verão desde há muitos, muitos anos que não passo lá, pelo menos, uma quinzena inteira. Mas é por uma boa causa...
Comecei hoje um novo ritual, o do ir "de férias ao fim-de-semana".
Chego hoje ao meu Exílio II e já me foi dito que é o dia da anual Festa no Pinhal.
Segunda-feira logo vos conto.
Nos próximos tempos, de vez em quando, o Linhas Incertas vai ter convidados especiais que terão como desafio escrever um post.
O primeiro vai ser o F.Crescido, o meu muito querido primo Francisco. Ainda não sabemos se vai ser hoje ou para a semana.
Já vos digo qualquer coisa...
Vou tentar, em algumas linhas, demonstrar o caos em que este escritório se encontra:
- director da empresa a trabalhar num portátil, numa mesa pior do que a minha;
- 4 homens cheios de pó, de um lado para o outro, a montar o ar condicionado;
- pegadas de botas em todo o lado;
- barulho ensurdecedor;
- computadores com pó;
- queixas dos vizinhos e alarmes anti-incêndio a disparar;
- casa-de-banho inutilizada...
E no meio disto tudo conseguimos trabalhar!
Somos o máximo...
A Maria não há meio de nascer e eu já estou ansiosa por lhe pegar ao colo.
Maria, vá, já passaram nove meses. Cá para fora!
Já agora, aproveito para comunicar que não vou ter mais um, mas mais dois sobrinhos-primos.
As mães e os pais das respectivas crianças estavam felizes da vida com a Inês e com o Guilherme, mas resolveram (e muito bem!) aumentar a família.
Eu? Estou delirante!
No mesmo comboio, na mesma carruagem, lado a lado. Ela de livro na mão. Simpática, bonita. De vestido azul-acinzentado.
Ele era diferente. Com um gesto quase indiferente, sentou-se ao seu lado. Puro acaso. Ele, ele era diferente. E antes de o saber já estava apaixonado.
Ela era Sílvia.
Ele, Alexandre.
Ela levantou-se, por momentos. Deixou o livro abandonado.
Ele agarrou-o, com cuidado. Deixou-lhe um bilhete, com morada, assinado. Ela voltou para buscá-lo.
Cartas trocadas, meses passados. Casamento marcado. Quis a vida que um livro os tivesse encontrado. Não há linhas como estas, as do caminho predestinado.
Rosário Dias Diogo
Passatempo Marcado por um Livro, dia 17 de Julho, D.N.
As palavras. Que caem, em vão. Como lágrimas, numa imensidão de frases desconexadas. Essas palavras, tão gastas.
Aceito. Caminhos, vidas de desleixo. Vivo intensamente as palavras que assim deixo, nesta vida. Para um amanhã. Quando eu já fôr partida.
E escrevo, como lágrimas, as palavras. Sabendo que de outras mágoas outras palavras gastei.
As palavras, que caem. Mas nunca em vão. São iguais a outras tantas que usei.
Vinha no metro a reparar que:
há pessoas que cheiram mal logo de manhã;
toda a gente está de mau humor;
e que não há nenhuma mulher com mais de 40 anos que não tenha um saco de plástico na mão...
O fenómeno-do-saco-de-plástico ultrapassa-me. São oito da manhã e esta gente já anda com sacos de plástico nas mãos? Será moda?
Tenho imensa curiosidade em saber o que é que tanto carregam as mulheres portuguesas.
Vou espreitar e investigar, e logo vos conto.
De vez em quando detenho-me a tentar ver o mundo pelos olhos dos outros. Outras perspectivas e opções de caminho.
Levo tempo a pensar nisso. Diferentes meios de crescimento e impulsos levam-nos a pensar e agir de maneiras distintas.
Acho que isso faz de mim uma pessoa diplomática e atenta ao "outro lado da história".
Nem sempre consigo ter esta clareza de espírito, nem sempre os outros lados me parecem dignos de serem pensados.
Mas prometo que tento. Sempre.
Já tinha saudades dos meus leitores assíduos! O Linhas Incertas não é o mesmo blogue sem estes comentários...
Beijinhos para todos!
Voltou ontem. Com roupa nova, cansada, mas com aquele brilho nos olhos de quem viveu uma vida.
A Bruxinha Morgana voltou. E já nem me lembrava de que tinha tantas saudades dela.
Bem-vinda, querida amiga!
Cheguei agora à conclusão de que escrevi o post Blogue de Férias exactamente no dia em que voltei de férias de escrita...
Pronto, a verdade é que não foram programadas, simplesmente aconteceram!
Agora, que já descansei tudo, vou voltar a escrever todos os dias...
a vida é feita de pormenores. de pequenas coisas. senão fossem esses pequeninos detalhes, a vida era a preto e branco.
sorrisos. adoro sorrisos. gosto de dizer bom dia e boa tarde onde quer que entre e que me correspondam. gosto que me surpreendam, com pequenas coisas, que a minha mãe se levante de manhã para me dar um beijinho antes de eu ir para o trabalho. gosto que o meu pai me escreva no blogue.
gosto de dias em que o sol brilha, mas não está calor. gosto de levar coisas na carteira de que nunca preciso e de, no dia em que são realmente precisas, as ter ali à mão.
gosto dos abraços do Kiko, tão espontâneos. dos telefonemas da bruxa má, escassos mas bons.
gosto de ter o "meu" lugar livre no autocarro, de tomar o pequeno-almoço sem pressas. de que a minha mana diga que gostou de determinado texto e de a ouvir contar as aventuras dos seus treinos.
das provocações do f. crescido e dos passeios com a murphy. dos disparates do mano g.
gosto do café frio, mas sem estar gelado.
gosto de chegar ao trabalho de manhã, sozinha, e de ter tempo para escrever no blogue.
gosto de passear e de sentir o vento na cara.
as pequenas coisas deixam-me sempre marcado um sorriso.
as coisas. pequeninas.
Peguei no Guilherme, no Gonçalo e no Kiko, enquanto os crescidos jantavam, e fomos os três para o jardim ver as estrelinhas.
- Vamos ver a bivó!- disse-me logo o Kiko.
Fomos devagar, o Gonçalo e o Gui ainda mal andam, fomos passinho a passinho.
O Kiko foi à frente, o primo "quescido", aos saltinhos e contente por ir à rua de noite.
- Zarinho... - disse quando olhámos para o céu - São muitas, não sabe qual é a bivó. Agora não sabe, não consegue.
- Ó Kiko! É tão bom! Assim podemos escolher a estrelinha que quisermos! E sabemos sempre que a bivó está a olhar por nós...
Não ficou muito convencido. A ideia de não ter uma estrelinha que seja um ponto de referência deixou-o um bocadinho baralhado.
Como é que eu lhe explico a metafísica da metáfora da estrelinha? Como é que se explica a um menino de três anos que por muito que deixemos de ver as pessoas, elas nunca nos bandonam realmente?
O meu Kiko é o maior exemplo da união de todos. Nele estão vincados os sentimentos da família, o amor que temos um pelos outros, o amor que temos pela avó. E é impressionante como o exemplo dos crescidos passa valores que não se explicam. Há coisas que não precisam de ser ditas para se aprenderem.
Querido Kiko: tenho muito orgulho em ti. E esta tia já está cheia de saudades dos "leitinhos com chuate", dos "megulhos na piscina", até das birras de sono do fim de dia e quando dizes "quer colinho da Zarinho" e adormeces ternamente ao meu colo. Adoro sentir-te adormecer calmo e pacífico.
Hoje o beijinho é para o Kiko Badamico.
A presença da avó vai, aos bocadinhos, deixando a casa. Ficando apenas na memória e num sopro esvoaçante que parece dar-nos um empurrãozinho especial quando precisamos.
O quarto da avó ainda cheira a avó. A uma mistura de perfume, madeira e pó-de-arroz. Mudámos o quarto, a disposição das coisas, para que não fôsse doloroso lá entrar. Mas o cheiro ainda por lá paira.
Amanhã faz dois meses.
E a avó ainda faz muita falta.