maio 31, 2004

Férias

Confesso que o post de ontem me deu imenso trabalho a escrever. Como tal, hoje estou de férias de blog...
Ainda para mais amanhã é dia da criança e tenho que pensar no presente Incerto para os "meus" meninos todos.

Publicado por Rosário Dias Diogo em 12:19 PM | Comentários (2)

maio 30, 2004

Queída famía

- Palava d'onra!- diz u Xuão.
- Palata dorra!- diz u kiko.
Risos dus quescidos.
U jantái é difixil puque us quescidos queíem u Kiko í u Xuão paíados, í é difixil pó kiko í pó Xuão taíem paíados.
- Pode í pá rua, pode?- pegunta u Kiko
- Eu também quéiu!- diz u Xuão
Us quescidos não deixam u kiko í u Xuão í pá rua xozinhos. Mas u Kiko í u Xuão queiem bincaí com as bixiquétas i andaí na cotoneta. Não é pexiso quescidos puque a bixiquéta i a cotoneta xão piqueninas.
Na pixina é a mema coiza. Dixem aos piqueninos que não se pode í pá pixina às oito da manhã, mas pós piqueninos é a mesma coisa í pá piscina às oito da manhã ó às onze da manhã...
Í us piqueninos nunca quéiem papinha... Se u kiko pode comeí igobute, puque é que vai comeí caninha? E se há cola cola puque é que vai bebeí água? Não qué... qué xumo ó cola cola.
U Xuão í u Kiko não gostam das subancelhas. As subancelhas são pós bebés í u Kiko í u Xuão já não xão bebés, são piqueninos í pul'ixo não pexisam das subancelhas pa nadaí na pixina.
Fazé ó ó? Nem pensaí! Ó ó faz u paí quando lê u junaí... U Xuão i u Kiko nunca quéiem ó ó. Bincaí é qué bom.
U Xuão i u Kiko quéiem mimo du pai í da mãe quando fázem dói dói. I quéiem abaxinhos dus tios e dus pimos. Us tios í us pimos existem pa dá mimo ós piqueninos. E pa daí xupa-xupas í doxes.
U Xuão í u Kiko gostam muito da quinta puque podem guitái í faxer asneias. Í gostam de xer piqueninos puque às vexes têm ó ó (xó às vexes) í us quescidos pegam au colinho. O colinho dus quescidos é bom.
Xer piquenino é bom, é xó ixo que u Kiko í u Xuão quéiem dixer.

Dicionário português-dos-pequeninos/português-dos-crescidos:

cotoneta = trotineta
subancelha = braçadeira
junaí = jornal
caninha = carninha
igobute = iogurte
abaxinho = abracinho

Publicado por Rosário Dias Diogo em 05:59 PM | Comentários (5)

maio 29, 2004

Entre bruxas

- Está ali o teu Y!
- A sério?! Onde?
- Ali em baixo, acabou de virar à esquerda.
- Embora lá!
Perseguição típica de filme. As outras bruxas ficaram a olhar sem perceber nada.
- À direita! À esquerda! Está de camisa azul, ao telemóvel!
- Não o vejo... Tens a certeza que é ele?
- Tenho. Olha, parou. Está ali naquele grupo de rapazes. Vai falar com ele.
- Não vou nada... ELE DISSE-ME QUE ÍA PARA BRAGANÇA. Mas onde é que ele está?
- Não sejas parva, claro que vais. Está mesmo à tua frente, de camisa azul. ELE DISSE QUE ÍA PARA BRAGANÇA? Então não lhe vais falar.
- Estás a gozar comigo...
- Porquê?!
- Aquele não é o meu Y.
- Tens a certeza?
- ACHAS QUE EU NÃO SEI COMO É QUE ELE É???
É o que dá sermos muitas...

Publicado por Rosário Dias Diogo em 07:50 PM | Comentários (5)

maio 28, 2004

Não-Gosto!

- Ó Rosa! O que é que TU estás a fazer?
Pergunta o Tenro enquanto eu, com um ar muito decidido, atiro os morangos da salada de frutas para o prato que está debaixo da taça.
- Estou a tirar os morangos.
Ele olha para mim como quem diz: é óbvio que estás a tirar os morangos... a pergunta é porquê.
- Não gosto de morangos.
- Não gostas de morangos? Que grande pancada...
Cheguei à conclusão que sou da geração do não-gosto. "Não gosto de peixe, não gosto de batatas cozidas, não gosto de salada, não gosto de favas, bacalhau, fruta, vegetais..." Não gosto! Eu até tenho sorte... Só não gosto de cozido à portuguesa e de morangos. E não gosto de comer animais pequeninos (tipo borreguinhos, patos, cabritos, coelhos, carne de caça). Eu sei, eu sei! Sou da geração do não-gosto.
Cá em casa o G. não gosta de bacalhau, nem de batatas cozidas; a Pepa SÓ gosta de batatas fritas e bife e a nossa mãe não gosta de ouvir não-gosto.
O Tenro não gosta de bacalhau, há uma bruxa que não gosta de lulas, outra que só gosta de coisas estranhas e pratos esquisitos. A prima I. não gosta de ervilhas e a lista de alimentos "não-gostáveis" é interminável.
Eu acho que sofremos do síndroma mimo-a-mais-de-empregada. A minha mãe diz: Paula, amanhã o almoço é peixe cozido. A versão oficial é realmente peixe cozido. A versão meia-hora-antes-da-mãe chegar é omelete com batatas fritas. Ah! E gelatina, pudim, doces e mimo até à hora da Paula se ir embora. Claro que almoço-com-mãe-em-casa tem a versão bacalhau-obrigado-a-ser-comido. Lá a mania de não comer bichos pequenos e queridos (quando éramos pequeninos tivemos patinhos: um dia desapareceram. Nunca mais comemos pato. Tenho uma coelha anã. Nunca mais fui capaz de comer coelho. Como carne, claro, mas só de animais adultos... Porquinhos, borreguinhos, cabritinhos evito comer. Os nossos tios ao princípio gozavam, mas agora até já preparam outros pratos porque percebem que nos faz mesmo impressão. Antes esta que outras manias.) a mãe não se importa muito desde que comamos o que vem para a mesa.
A geração do não-gosto gosta da comida de casa. Sempre sai mais barata, não é?
Este "post" vai ter direito a piadinha da família. "É javali", ouvi vezes sem conta... E eu a ver os ossos do coelho.
Obrigada tios, por terem sempre uns bifinhos guardados para os meninos do "eu preferia comer outra coisa...".

Publicado por Rosário Dias Diogo em 02:07 AM | Comentários (12)

Sem fala

Esta nunca me tinha acontecido...
Deitei a Marta e a Madalena às 21e30. Fui para a sala ler revistas fúteis sobre o casamento do Princípe Filipe.
Tic, tic, tic.
- Rosarinho... Olha cá para cima!
Primeiro olhei para o relógio. 22e00.
- Mas ainda está acor...
Olhei para cima.
(...)
Cinco segundos sem fala a tentar perceber onde é que estava o pijama que eu lhe tinha vestido. A Marta, por cima do tal pijama, tinha uma farda completa de médico. Desde as pantufas à touca, passando pela máscara e por uma bata miniatura.
Fiz um ar indignado.
- Já para a cama! Não são horas de estar acordada! (gargalhadas dela, "queres uma máscara? tenho duas"; "Não! Quero é que durma!"; gargalhadas das duas e mais da Madalena que entretanto acordou.)
Tirei-lhe a farda, arrumei-a, deitei a Marta, saí do quarto.
Passei a meia hora seguinte a rir-me sozinha... Há cada uma!

Publicado por Rosário Dias Diogo em 01:48 AM | Comentários (3)

maio 27, 2004

Nasceu o Dinis!

- Ó tia Rosarinho!
Oiço eu do quarto deles. Levanto-me, abro a porta.
- Diz, Madalena.
Ela senta-se no bercinho.
- Ó tia Rosarinho! Eu não tenho aqui nenhuma boneca e a minha mãe põe sempre uma boneca na minha caminha e eu quero a barbie-quebra-nozes a dormir aqui comigo.
Traduzido para linguagem de adulto: Ó tia Rosarinho, és uma babysitter completamente incompetente, quero a minha boneca já.
Levo-lhe a boneca.
- Quero leite!
Oiço do berço em frente:
- eú tam-béin.
Inocente... Eu que pensava que eles estavam os dois a dormir.
- Vou buscar leite, quero-vos deitados.
Aqueço o leite, levo dois copos.
- Esse não é o meu copo! A mãe põe sempre uma palhinha!
Troco os copos, seguro no do Bernardo e ajudo-o a beber.
- O Dinis trouxe um presente, porque o Dinis nasceu.
O Dinis é o mano mais novo que nasceu anteontem.
- Diniiiíiisss... - diz o Bernardo.
- Pois é, o mano trouxe um presente. Agora ó ó. Beijinhos para os dois.
Festinhas, mimo. Já estão deitados. Fecho a porta do quarto.
(silêncio)
- Ó tia Rosarinho!
Levanto-me, abro a porta, a Madalena senta-se na cama.
- Não gosto desta manta aqui e a minha mãe deixa-me tirar o pijama quando tenho calor e quero tirar os sapatos à barbie-quebra-nozes.
- Madalena. Agora é para dormir. Acabou...
Tiro a manta, os sapatos, a parte de cima do pijama.
Fecho a porta do quarto, sento-me.
- Ó tia Rosariiiiiiiiiinho! Quero fazer chichi!
Abro a porta, pego nela, tira fralda, chichi, ponho fralda, pijama, cama.
- Até amanhã (pela terceira ou quarta vez...). A tia gosta muito dos dois.
Fecho a porta, sento-me. Agora já estão mesmo a dormir.
Chegam os pais.
- Então? Foram bem para a cama?
- Lindamente!
Qualquer dia caem-me os dentes todos de tanto mentir.

Publicado por Rosário Dias Diogo em 12:00 AM | Comentários (10)

maio 26, 2004

Primas "desafinadas"

I. lembrei-me das nossas cantorias! Nunca mais tocámos viola lá no Exílio!
Se o F. Crescido apanha este post vai escrever nos comentários: "E ainda bem!". Mas é só da boca para fora, ele também gosta de ouvir e de cantar connosco.

Publicado por Rosário Dias Diogo em 11:00 AM | Comentários (3)

As primas "afinadas"

As primas por afinidade foram muito bem escolhidas... Digo isto porque se me fôsse dada a tarefa de as escolher, não escolhia outras.
A F., mãe do Kiko e da Maria, tem sempre um sorriso pronto, uma festinha no cabelo para nos fazer e pergunta-me por namorados. Não me pergunta por namorado, pergunta por namorados, o que me parece bem inteligente da parte dela.
A M. está sempre pronta a ajudar. Se alguém diz "preciso" ela já se fez ao caminho para arranjar tudo o que é necessário. Adoro os abraços dela e tenho saudades de a ouvir dizer disparates.
A P. é toda ela harmonia. É a mãe da Inês bebé. Tem um sorriso lindíssimo e onde quer que esteja parece sempre haver uma paz envolvente.
A CC é a última aquisição da família do lado da minha mãe (o meu pai não tem irmãos e, como consequência, não tenho primos direitos). É tranquila, está sempre atenta e tem sempre uma palavra amiga para ajudar a resolver complicações.
Os meus primos M., P., M. e D. tiveram muito bom gosto e a família cresce a olhos vistos. É tão bom!

Publicado por Rosário Dias Diogo em 10:51 AM | Comentários (3)

maio 25, 2004

Hoje

Os dias passam, devagarinho, um a um. Sem pretensões a serem mais do que simples tempo que é dividido pelas noites, trazem-nos sempre algo de novo. Um outro sorriso, alguém que encontramos no caminho, um pássaro bonito, uma flor que de repente cresceu e demos com ela.
Às vezes parecem todos iguais e torna-se cansativo estar sempre atento a sinais de mudança, coisas que nos façam dar mais valor a hoje. Mas os sinais de mudança estão sempre lá, nos momentos mais simples, nas presenças displicentes, até em quem ou coisas a que normalmente não damos valor.
Hoje é sempre especial.

Publicado por Rosário Dias Diogo em 12:19 PM | Comentários (3)

maio 24, 2004

dá beijinho!

- Zarinho, o Kiko qué xopa!- diz-me ele.
- Vou lá dentro buscar a sopa. Também vens?
Olha para o amigo Bernardo que lá foi passar o dia (filho de uns amigos dos primos, da mesma sala do infantário e meu "babysittando") que está a brincar animadamente com o "tatoí encanado".
- Não, fica aqui.
Vou lá dentro, a mãe do Bernardo já aqueceu três sopas para eles os dois e para a Madalena, mana do amigo do Kiko. Levamos as sopas para o jardim. A M. senta os filhos, vou buscar o Kiko. Começa a olhar-me de lado.
- Não qué xopa.
- Não quê? Queres, queres. Olha o Bernardo e a Madalena tão bonitos a comerem a sopa.
- Não qué.
Sento-o numa cadeirinha minúscula, a mãe dos amigos dá. Come duas colheradas, levanta-se. Já me estou a irritar. Uma coisa é não querer comer por não ter fome, outra é porque não quer deixar mais ninguém brincar com os brinquedos dele.
- Francisco, já estou a ficar zangada.
Olho em volta a ver se vejo os pais dele para perguntar se me posso zangar com ele. Senta-se no tractor. Pego na sopa. Distrai-se, come a sopa toda. Chegam a mãe e a Maria (dentro da barriga).
- Já me estava a zangar com o Kiko, estava a fazer uma fita para não comer a sopa. Mas agora comeu tudo. A Zarinho já estava a ficar zangada.
Oiço a vozinha dele:
- Zarinho... Dá beijinho...
Impostor... Sabe tão bem levar a tia-prima! E eu fiquei toda lambusada de sopa de agriões.

Publicado por Rosário Dias Diogo em 04:47 PM | Comentários (0)

Cá estou

Voltei. Estive longe, ocupada, cansada e a minha vertente artística ressentiu-se.
Hoje já voltou a mostrar-me que está bem viva e que tem imenso para contar, mas quem não quer participar é a minha cabeça... E como é a conjugação das duas que escreve, não vou forçar nem a arte nem a razão. Elas que se entendam e amanhã logo vemos o resultado.
Nos entretantos da vida, o sol voltou a esconder-se. Ontem o dia teve direito a escaldão e a carro empanado na auto-estrada.
Hoje, parece-me que temos todos direito a chuva...
Um bom dia para todos os Leitores Incertos!

Publicado por Rosário Dias Diogo em 10:07 AM | Comentários (3)

maio 20, 2004

Gente de valor

- Ó "setôra"! Já tá na hora.
- Já lhe expliquei que "setôra" não se diz...
Toca a campaínha para a saída.
- Podem sair.- digo eu.
Saem a correr como se alguém estivesse a oferecer gelados fora da sala. Eu começo logo a rir-me. Pois é, parecem adolescentes ou crianças, mas não são... São mesmo militares e duvido que algum deles seja mais novo do que eu.
Os senhores "Major" saem com mais calma, às vezes! Percebo que precisam de um intervalo quando os senhores com a patente mais alta se começam a mexer muito nas cadeiras e a conversar uns com os outros.
A última fila é sempre uma tentação. Explico vezes sem conta que não quero ter que berrar e que os quero mais perto da fila da frente. Querem sempre sair mais cedo, trabalhar pouco. Dão-me passagem na porta, esperam por mim para almoçar e são educados e respeitadores. Quando os mando calar, calam-se. Quando levanto a voz, só preciso de o fazer uma vez. É mais do que explícito que quem ali manda sou eu. Mas o carinho que me dispensam e as atenções de boas maneiras e educação não foram aprendidas nas minhas aulas.
- Professora, amanhã de manhã dá-me dispensa? A minha mulher vai fazer uma ecografia, o bebé pode nascer a qualquer momento e gostava de ir com ela.
Sorrio inevitavelmente.
- Vá e faça-lhe companhia.
Diz-me um Soldado:
- Professora, o Alferes vai chegar um bocadinho tarde, houve um grande acidente. Há mortos espalhados pela estrada e ele está a comandar as operações pelo telefone.
O Alferes tem a minha idade. Entra na sala com uma cara preocupada, chega a horas.
Há tantas vidas por detrás daquelas fardas que é impossível manter uma relação impessoal. Mostro-lhes com pequenas atenções que me preocupo, mas sempre mantendo a distância que me é devida.
- O pai do bebé David que está para nascer, faça o favor de ler.
O Sargento ri-se e lê. Percebe que não me esqueci do filhote.
- Então, Senhor Alferes. Já conseguiu resolver o problema?
- Já...- diz-me com uma cara triste - mas estão à espera do INEM para levar as vítimas.
Os meus alunos são gente muito especial e com muito valor. Tenho muita sorte.

Publicado por Rosário Dias Diogo em 06:04 PM | Comentários (2)

maio 19, 2004

Desafios

- Sábado vou tomar banho à tua piscina!- é a primeira frase que oiço do outro lado do telefone.
- Então? A I. convidou-te?
- Sim. Vê lá se também lá estás! Era giro! - diz-me a Murphy Brown.
- Ainda não sei, mas provavelmente sim.
Estava cansadíssima, acabada de me sentar depois de ter estado a dissertar para 54 pessoas durante sete horas. Sim, sete horas!
Tem muita piada descobrir novos talentos dentro de nós. Quando achamos que já nos conhecemos completamente aparece uma nova aventura que nos mostra que somos mais versáteis do que aquilo que julgamos.
A vida é mesmo feita disto. De novas chamadas que impõem novos limites naquilo que julgamos poder dar. E podemos sempre dar mais do que aquilo que pensamos no princípio da caminhada.

Publicado por Rosário Dias Diogo em 12:00 AM | Comentários (2)

maio 18, 2004

É só...

É só esta semana que o Linhas Incertas vai estar a 50%...
Não tenho tido muito tempo para escrever, nem para pensar acerca do que escrever, como tal, as linhas incertas vão ser curtas.
Desculpem!

Publicado por Rosário Dias Diogo em 05:47 PM | Comentários (5)

maio 17, 2004

Festa!

A festa do Kiko foi um verdadeiro sucesso. O Exílio estava cheio de meninos e meninas, bebés e crescidos, amigos e família. Lembrava os velhos tempos dos onze primos em pleno festival de asneira.
Quando pensava que todas as asneiras já tinham sido feitas pela geração anterior, devido a muitos anos de estudo dos meus primos e meu, três badamicos com no máximo sete anos mostraram-nos que não. Há sempre novos disparates prontos a serem feitos. O Caetano, o Manel e o Zé foram os malandrões da festa.
O Kiko parecia um magnata de férias. Não percebeu muito bem porque é que recebeu tantos presentes, mas soprar as velas, isso sim, foi uma animação! O presente preferido foi um "tátoí encanado" (tractor encarnado) dado pelos avós e pelo tio F. Crescido.
Para além de mimo de Kiko, tenho que contar que o primo Gonçalo bebé é um verdadeiro portento. Fez um ano há duas semanas, já anda (todo torto, mas anda) e tem um sorriso que há-de partir muito corações quando for crescido. Por agora limita-se a deixar a tia-prima cheia de orgulho.
E o meu bichinho de conta já tem três anos!

Publicado por Rosário Dias Diogo em 04:58 PM | Comentários (4)

maio 14, 2004

Engano

Hoje cheira a verão. A primavera enganou-se... Quando isto acontece fico sempre estupidamente bem disposta. Não é só fazer sol. Cheira a praia, há sol, lembra férias, não ter horas... Enfim! Cheira a verão.
Provavelmente o facto de ser sexta feira também ajuda.
Um óptimo fim de semana para todos!

Publicado por Rosário Dias Diogo em 10:50 AM | Comentários (6)

maio 13, 2004

"Guarda-até-o-trapinho"

O poder que o ser humano tem para acumular objectos à sua volta é absolutamente impressionante. Juntamos papelinhos, caixinhas, roupa que não usamos e a lista de tudo aquilo que pode ser guardado é interminável.
Há vestígios em grutas de que, já na pré-história, os primeiros homens levavam para as suas cavernas conchas e búzios com um objectivo meramente decorativo. Hoje, o acumular tem museus. Há quem coleccione relógios, rádios, frigoríficos, caricas, garrafas, autocolantes e até existe uma colecção de caroços de citrinos. Parece mentira, mas não é.
Gosto de pensar que, para além de uma boa dose de loucura da parte de alguns, temos tendência para acumular tudo. Ou seja, para além das "coisas" que são físicas, também guardamos sentimentos, sensações, conversas, imagens, memórias de pessoas. E isso reflecte-se na forma de como queremos manter como caminho paralelo das nossas vidas um museu só nosso, das "coisas" físicas que são a matéria das nossas vivências.
Na minha família o gene do "guarda-até-o-trapinho" está enraízado há muito, muito tempo. Felizmente, eu não o herdei directamente. Vivo com ele através da mana Pepa e da minha mãe. Antes era através da minha avó.
Mas será que se não guardarmos tudo nos esquecemos das coisas? Será que precisamos de objectos que só ocupam espaço, ganham pó e que não servem mesmo para nada para nos ajudarem a colar na memória as sensações mais susceptíveis a serem perdidas?
Eu acho que não. Acho que temos o poder de selecção das vivências mais importantes e, a longo prazo, essas é que interessa mesmo manter.

Publicado por Rosário Dias Diogo em 10:53 AM | Comentários (5)

maio 12, 2004

Olhem, hoje não me apetece escrever. Escrevam os caros leitores!

Publicado por Rosário Dias Diogo em 10:54 AM | Comentários (11)

maio 11, 2004

A Murphy vai ao cinema

Todas as semanas é a mesma coisa. A Murphy Brown e eu vamos ao cinema. Entramos no parque de estacionamento. Está completo.
- É mentira!- grita ela.
- Errr... claro que está completo! Ou não tinha o sinal, não achas? Anda lá para o -2.
Mas não... A Miss Brown acha que os senhores do parque nos querem enganar e ficamos sempre pelo menos quinze minutos a tentar estacionar.
Mas, a melhor parte é nós nunca decorarmos onde é que o carro fica. Pois é... Mais quinze minutos a pensar: "Ora entrámos pela porta ao lado da loja das cadeiras... Hum... Virámos à esquerda, não à direita... Não, foi em frente!"
Murphy... Depois de ontem achei que tinha mesmo que partilhar a nossa "azelhice". E da próxima vez o carro fica no piso -2, certo??????

Publicado por Rosário Dias Diogo em 12:17 PM | Comentários (6)

Ser crescido

- Ó mãe... A vó é "quescida"?- pergunta o Kiko Badamico à mãe dele enquanto a tia G. dá o almoço à avó (bisavó do Kiko).
- É... Mas às vezes precisa de ajuda, como o Kiko.- responde a mãe dele.
Tantas vezes lhe dizemos "o Kiko é crescido, come sozinho, veste-se sozinho." que o Badamico ficou baralhado.
No sábado faz três anos. Estamos histéricos. Não sei se resisto a não lhe comprar outro presente, para além do pião ("que faz assim, assim", como ele diz).
Logo vos conto como é que correu a primeira grande festa de anos do Kiko, lá no Exílio.

Publicado por Rosário Dias Diogo em 12:09 PM | Comentários (0)

maio 10, 2004

Ainda bem

Ainda bem que eu tinha arrumado o armário do meu quarto e tirado toda a roupa de verão...

Publicado por Rosário Dias Diogo em 12:07 PM | Comentários (4)

maio 09, 2004

Memórias

Hoje estive com os meus amigos de infância, aqueles com quem cresci, brinquei, fiz asneiras. Estivemos a recordar memórias, a ver fotografias, a celebrar a vida. Fartámo-nos de rir com fotografias de quando éramos pequeninos e foi engraçado ver como crescemos todos diferentes, mas com um passado comum. O Bernas, a Kikas, a M., a Jota A., a P. e mais uns quantos terão sempre um lugar especial no meu coração.
Fiquei com saudades.

Publicado por Rosário Dias Diogo em 08:25 PM | Comentários (0)

maio 08, 2004

De volta

A Bruxinha Morgana veio passar o fim de semana ao continente. É óbvio que estamos a matar saudades numa corrida contra o tempo, ainda que não tenha sido há muito que ela se foi embora.
A Magali arrastou-nos para o P., das poucas discotecas onde cada vez que lá vou digo que nunca mais volto. Mas a voz das amigas fala mais alto... E um Y é sempre um Y...
Parece bruxedo, mas a Morgana está mesmo cá.
Bem vinda!

Publicado por Rosário Dias Diogo em 11:30 AM | Comentários (0)

maio 07, 2004

Instantes

Ter asas sem as ter. Agarrar a vida, momentos, sensações, gravá-los com letras garridas em mim. Zangar-me. Sorrir. Rir.
Tocar o céu, abraçar as nuvens, ouvir o sussurro do mar quando fala com a areia. Abrir os braços ao vento, como o fazem as árvores com os seus ramos. Com a mesma entrega, com a mesma força. Com a mesma vontade de voar sem sair do seu lugar.
Uma praia vazia.
Camisolas de gola alta, um cão a correr. Um beijo roubado que não se consegue esquecer.
Abraços, olhares, perfumes de mares. Cozinhas quentinhas cheias de receitas, de vidas já feitas e ainda a crescer.
Amigas, amigos. As noites passadas entre as fortes risadas de um tema qualquer. Conversas ouvidas, jogar às escondidas, correr sem cansar até não mais poder.
Um segredo guardado, uma sombra comprida, uma réstia de dia quando a luz do sol se começa a esconder.
Árvores bonitas, flores coloridas, conchinhas na areia na maré que insiste em descer. Um toque ao de leve, navegar sem leme, o instante breve entre ser e não ser.
Ser criança, ser menina e ser mulher. Perder-me e encontrar-me, ser todas e nenhuma, conservá-las intactas dentro do meu ser.
Ser minha e de todos, ser de todos os modos tudo aquilo que eu puder.
Ser eu e a outra, ser todas aquelas que vêem em mim. Sem eu ver.
Agarrar a vida na réstia de dia que é o instante breve entre viver e morrer.

Publicado por Rosário Dias Diogo em 11:12 AM | Comentários (6)

maio 06, 2004

Bebé Margarida

A bebé Margarida começa a dar os primeiros passinhos. Mais nova de três irmãos, olha para a minha cara como quem diz "quem és tu"? Eu tento explicar, "Margarida estás sempre a dormir quando cá venho e quando acordas a meio da noite nem falo para não estranhares." É, obviamente, igual a não dizer nada.
Os primeiros minutos são complicados. Olha para mim. Olha para a mãe. Olha para mim. Snif. Snif. AHHHHHHHHHH! Choradeira. A mãe sai, com o coração apertadinho por a filhota estar a chorar mas, logo a seguir, a Margarida já se está a rir a ver os carros na rua pela janela.
Sento-a no chão. É um bebé rastejante muito independente. Apanha os brinquedos todos que tem à volta, os que estão longe e até o telemóvel da babysitter que estava estrategicamente escondido em cima de uma cadeira.
A Margarida tem quatro dentes, caracóis e um sorriso lindíssimo igual ao do irmão mais velho. O charme é o do mano do meio.
Dorme um bocadinho e acorda muito bem disposta. Percebo pelos sorrisos e gritinhos que tem cócegas e que gosta que lhe façam festinhas na barriga. Também gosta de ouvir cantar. Corre a casa toda agarrada às minhas mãos. É o delírio! Grita que se farta e eu não consigo parar de me rir.
Mal ouve a porta bater, desata a chorar. "Eu juro que ela se esteve a rir até há 5 minutos!". "Não se preocupe menina, comigo é a mesma coisa!". Sempre fico mais descansada com o que me disse a empregada.
A bebé Margarida diz-me adeus com a mão minúscula. Eu dou-lhe um beijinho.
E assim se passou mais um babysitting.

Publicado por Rosário Dias Diogo em 01:01 PM | Comentários (0)

maio 05, 2004

Em cinco minutos

Ontem, o blog Ene Coisas propôs que em cinco minutos cada leitor escrevesse um texto. Como não tinha nada preparado para hoje, resolvi publicar aqui o que ontem por lá escrevi! Convido-vos a todos a passarem pelo dito blog e a tentarem a vossa criatividade.

Prometeu-se. Mentiu-me. Depois de toda a entrega desapareceu da mesma maneira de como tinha chegado. E eu? Mais vazia, mais perdida, mais só.
Prometi-me. Em vão. Foi-se embora sem adeus, sem desculpas e a solidão que em mim vive promete-me mais dias assim, de completa escuridão.
Prometo. Que não volto a apaixonar-me. Prometo? Não...

Publicado por Rosário Dias Diogo em 12:00 AM | Comentários (4)

maio 04, 2004

Fiquei-me

Ontem decidi que me ía embora. De mim. Fiz as malas, arrumei as ideias e, quando já estava pronta para sair, lembrei-me que tinha que me levar. Nem queria acreditar. Tanto trabalho para encontrar cada pedacinho do meu ser para depois nem sequer me poder despedir.
Pensei melhor. "Vou-me embora do barulho." Peguei nas malas mas, estando já na ausência de ruído, percebi que nem comigo podia falar... Não me pareceu boa ideia. Afinal queria barulho ou não? Nem cheguei ao silêncio. Falei comigo antes disso.
"E se o "eu" fugir de toda a gente?" Voltei a fazer-me ao caminho. Mas o que eu queria mesmo era sair de mim. Quando me vi ainda mais perdida e, ainda por cima, completamente sozinha, achei melhor voltar.
Voltei. Desfiz as malas e, no meio da multidão, fiz silêncio. Calei-me. Afinal, posso encontrar-me mesmo estando no meio de gente. Basta saber que quem pensa também sente e que o encontro entre os dois é que decide como melhor se vive o presente.
Decidi: "Ainda sinto... Mas penso melhor. Fico-me".

Publicado por Rosário Dias Diogo em 02:04 AM | Comentários (6)

maio 03, 2004

Hoje

Hoje o sol entrou devagarinho pela janela. Esticou os braços e, quando dei por mim, já me tinha tocado com um dos seus raios. Levantei-me, abri a janela. Numa brisa que me despertou do pouco sono que ainda em mim restava ouvi as seguintes palavras: "Hoje vai ser um dia bom".
É melhor pôr-me a andar que tenho muita coisa para fazer e um dia às vezes parece não ter horas suficientes para fazer tudo o que é preciso. E já que me prometeram um dia bom, o melhor é aproveitá-lo.
Bom dia para todos!

Publicado por Rosário Dias Diogo em 11:02 AM | Comentários (5)

maio 01, 2004

Como...

Como dar cabo da sua babysitter em sete horas:

- faça a festa de anos dos seus filhos em casa;
- junte-lhe mais 15 amigas pré-adolescentes;
- umas quantas que saibam gritar bem alto;
- leve-as a jantar fora a uma pizaria;
- escolha os empregados mais incompetentes para lhe servirem o jantar;
- leve-as de volta para casa e faça da sua sala uma discoteca com música bem alto;
- diga aos pais das crianças para só as irem buscar às 23e30...

E tem uma babysitter prontinha para ir dormir.

Publicado por Rosário Dias Diogo em 01:05 AM | Comentários (1)